FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 15
µ 15 | FNAMZINE | março 2026
de Médicos
. JOÃO CANHA Assistente Graduado de Psiquiatria
. TERESA MARTINS Especialista de Pediatria
. MARTA VALENTE Especialista de Pediatria
FNAMZINE (FZ): Como foram as vossas
experiências no setor público e no privado
e que razões vos levaram a essas escolhas?
MARTA VALENTE (MV):
De toda a minha experiência, cerca de 90%
foi acumulada no setor público e apenas
residualmente no privado. No final do meu
internato em Portugal, fui para Inglaterra,
onde fiz investigação e o doutoramento. Tive
contacto com a realidade do Reino Unido
no setor público e só regressei a Lisboa
na altura da pandemia. Nesse contexto,
não foi linear perceber logo onde poderia
integrar-me num hospital público. Na altura,
sobretudo na zona de Lisboa, havia muitas
dificuldades em conseguir contratos como
pediatra nos hospitais públicos. Como
acabei por regressar em pleno período da
Covid-19, entrei com um contrato especial,
aberto nesse contexto, no Hospital Dona
Estefânia.
Entre esses dois momentos, tive a minha
primeira experiência no setor privado,
enquanto aguardava novidades sobre a
eventual existência de vaga no público. Não
deixou de ser uma experiência interessante,
numa unidade privada em contexto de
urgência, em plena pandemia.
FZ: Como foi o contexto de urgência no
setor privado durante a Covid?
MV: Na altura da Covid-19, comparativamente à afluência atual, tínhamos
números muito baixos. Houve noites
em que aparecia um doente, se tanto.
Nos dias que correm, as afluências estão muito semelhantes — diria até que,
por vezes, piores no setor privado, para
ser honesta.
JOÃO CANHA (JC):
A Psiquiatria é uma das especialidades
em que as diferenças entre o público e o
privado são significativas.
Ao nível da urgência, mas também do
internamento — completo ou parcial
— estamos a falar de situações mais
complexas e mais graves, em que
se nota uma grande diferença
em termos de organização e de
oferta entre os dois setores.
O privado está, essencialmente,
assente na oferta de consulta.
Pode ser uma consulta mais ou
menos aguda, mas a resposta é
sobretudo estruturada nesse
modelo.
Somos a única classe profissional, na Administração
Pública, que trabalha 40 horas semanais. Todas as outras
estão nas 35 horas. É outra das mudanças que precisamos de concretizar. JOÃO CANHA
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