FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 17
µ 17 | FNAMZINE | março 2026
TM:A sobrecarga assistencial. Não
apenas no meu caso, mas penso
que, em muitos contextos, é um
fator que conduz ao desgaste dos
profissionais e das equipas. No caso
particular do IPO, não estava tanto
relacionada com a urgência, mas com
o prolongamento diário da jornada de
trabalho e com o número de doentes
em seguimento em consulta. Noutros
colegas, sobretudo na área da grande
Lisboa, essa sobrecarga e a pressão
para realizar trabalho suplementar
acontece principalmente em contexto
de urgência.
MV: Sem dúvida que a questão da
sobrecarga é muito relevante. No
meu caso, por razões pessoais, essa
dimensão está salvaguardada, mas
é determinante integrar a vida
profissional, pessoal e familiar dos
médicos.
JC: Somos a única classe
profissional, na Administração
Pública, que trabalha 40 horas
s e m a n a i s . To d a s a s o u t ra s
estão nas 35 horas. É outra das
mudanças que precisamos de
concretizar.
FZ: Além dos que já referiram, que
outros caminhos deveriam ser
trilhados para fixar os médicos no SNS?
JC: É fundamental a estruturação
de uma carreira coerente, que traga
retorno em função do investimento
que fazemos, e que está também
associado ao investimento que o
próprio SNS faz nos profissionais
que nele trabalham. A progressão
na carreira, como a FNAM e os seus
três sindicatos têm sublinhado, é
essencial.
TM: Eu voltaria amanhã.
Mas, tendo filhos pequenos, teria de
ter salvaguardada alguma redução
e flexibilidade da carga horária. É
um aspeto muito prático, mas muito
importante.
Na altura da Covid-19, comparativamente à afluência atual, tínhamos
números muito baixos. Houve noites em que aparecia um doente, se tanto.
Nos dias que correm, as afluências estão muito semelhantes — diria até que,
por vezes, piores no setor privado, para ser honesta. Marta Valente
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