FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 20
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Grande Entrevista
“A CHAMADA REFORMA DO SNS É,
EXTERNALIZAÇÃO E EXPLORAÇÃO
JOÃO MANUEL LOPES OLIVEIRA nasceu em Lisboa, em 1955, cidade onde se licenciou em Medicina, em 1978.
Foi ainda como estudante que viveu intensamente os anos que marcaram o 25 de abril. Especializou-se
em Hematologia Clínica e exerceu no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, instituição onde foi
também diretor clínico e presidente do Conselho de Administração.
FNAMZINE (FZ): Como foi, no seu tempo, ser
estudante de Medicina?
JOÃO OLIVEIRA (JO): Foram tempos intensos e
gratificantes. Havia um grande envolvimento
de todos e uma convicção forte de que
podíamos mudar tudo: os curricula, a lógica
do ensino, a própria faculdade. Fiz parte do
Conselho Pedagógico e participei em muitas
reuniões densas e interessantes com colegas
e professores das faculdades do Porto e de
Coimbra, precisamente para tentar corrigir o
que achávamos que podia ser melhorado.
FZ: A Oncologia tem evoluído de forma muito
significativa. Como tem sido acompanhar essa
evolução?
JO: O IPO existe desde 1923, mas durante
muito tempo não havia Oncologia Médica
como especialidade. Os tumores sólidos
eram essencialmente tratados pela cirurgia
e pela radioterapia. Quando, em meados do
século XX, se começaram a induzir remissões
em leucemias agudas, pensou-se em utilizar
também os medicamentos no tratamento de
doentes com tumores malignos. Desde então,
muito se progrediu. Embora a cirurgia continue a
ser o tratamento curativo das doenças tumorais,
os tratamentos sistémicos, com medicamentos,
quando utilizados em complemento da cirurgia,
permitiram aumentar as taxas de cura em várias
doenças, além de contribuírem para melhorar
e, por vezes, dilatar a sobrevida de pessoas
afetadas por cancros disseminados sem
possibilidade de tratamento cirúrgico.
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