FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 21
µ 21 | FNAMZINE | março 2026
NA PRÁTICA, MAIS
O PRIVADA DA DOENÇA”.
Pude viver o entusiasmo de muitos
desses progressos, que fomos podendo
utilizar no tratamento dos nossos
doentes e através do desenvolvimento
de ensaios clínicos (metodologia de
investigação, entretanto generalizada
mas que foi inicialmente muito ligada à
oncologia), tanto em França, no Instituto
Gustave Roussy, onde trabalhei de 1986
a 1988, como depois, em Portugal, nos
Hospitais Civis e no IPO de Lisboa.
FZ: O aumento da incidência do cancro é
uma realidade?
JO: O aumento da incidência de
cancro tem sido relacionado com o
envelhecimento populacional. Do que
também se tem falado recentemente é
de um aparente aumento, visto como
preocupante, da incidência em idades
jovens. A confirmação desta evolução
tem motivado estudos em muitos
países, mas ainda não há certezas,
n o m e a d a m e n t e s o b re e v e n t u a i s
causas. Um trabalho recente do registo
oncológico nacional no que respeita
ao sul do país confirma um aumento
geral da incidência, mas com evoluções
contraditórias entre algumas patologias
e, sobretudo, sem que se detete um
incremento maior nos estratos mais
jovens que na população em geral. É
assunto que continuará a ser estudado
cuidadosamente, em Portugal e noutros
países.
FZ: O pensar de um administrador hospitalar
é diferente do pensar
de um médico?
JO: No meu caso, sempre vi ambas as funções
como parte da mesma forma de pensar. Fui
diretor clínico do IPO de Lisboa entre 2001
e 2005 e entre 2012 e 2018. De 2018 a 2022 fui
presidente do Conselho de Administração. A
preocupação foi sempre a mesma: encontrar
soluções que servissem melhor os doentes.
Conhecer as doenças e tratar as pessoas
implica também gerir bem os recursos e a
organização. Trabalhei com vários governos,
de diferentes cores políticas, e tive sempre
liberdade para fazer o que entendia ser
m e l h o r. N u n c a s e n t i n e ce s s i d a d e d e
compromissos entre a função de gestor e a de
médico.
A preocupação foi
sempre a mesma:
encontrar soluções
que servissem
melhor os doentes.
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