FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 26
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Utentes - Entrevistas
“POR UMA MATERNIDADE
NO LITORAL ALENTEJANO!”
DINIS SILVA Comissão de Utentes do Litoral Alentejano
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um dos
pilares das funções sociais do Estado e uma das
principais conquistas do 25 de Abril. Desde 1976,
o direito à saúde é um direito social fundamental,
consagrado na Constituição da República
Portuguesa. Incumbe ao Estado garantir o acesso
de todos os cidadãos, independentemente da
sua condição económica, aos cuidados de saúde
na vertente preventiva, curativa e de reabilitação.
Foi com o SNS que se criou uma rede de
estruturas e serviços prestadores de cuidados de
saúde, com a cobertura generalizada do país.
Criaram-se hospitais, centros de saúde, com
aposta na promoção da saúde e prevenção da
doença, bem como na saúde materno-infantil,
saúde sexual e reprodutiva, no programa
nacional de vacinação e nos serviços curativos e
de reabilitação.
Foi o SNS que tornou possível tudo isso,
colocando Portugal no caminho do progresso
dos indicadores de saúde, onde se destaca a
diminuição drástica da taxa de mortalidade
infantil, o aumento da esperança média de
vida, e importantes resultados na melhoria da
qualidade de vida das populações.
Neste processo, os profissionais de saúde
desempenharam um papel central e ativo no
sucesso do SNS, na qualidade e eficiência da
prestação de cuidados de saúde e na referência
mundial que este então se tornou, com a
Organização Mundial de Saúde, no seu relatório
de 2001, a considerar o SNS o 12º melhor do
mundo.
No entanto, as políticas seguidas pelos
sucessivos governos para o SNS aumentaram
a destruição e a delapidação do SNS, criando
dificuldades no acesso e diminuindo as
respostas assistenciais. No litoral alentejano
existem ainda cerca de 30 mil utentes sem
médico de família. No Hospital do Litoral
A l e n te j a n o co n t a m o s a p e n a s co m d o i s
cardiologistas para mais de 100 mil utentes, há
falta de camas nos diversos internamentos. O
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serviço de urgência é assegurado por empresas
de trabalho temporário. Há utentes que, para
realizarem exames, têm que fazer mais de
300 quilómetros e os tempos máximos de
resposta garantidos não são cumpridos na
maioria das especialidades, com a cirurgia
urológica com um tempo de espera de 400 dias.
As maternidades do Hospital São Bernardo em
Setúbal e do Hospital José Joaquim Fernandes
em Beja, por vezes estão encerradas, e não existe
maternidade no litoral alentejano, o que tem
levado ao aumento do número de bebés a nascer
nas ambulâncias e na berma da estrada.
As Comissões de Utentes do Litoral Alentejano
têm encetado diversas lutas.
Temos sido persistentes na luta contra os
Balcões SNS24, que criam a perversa sensação
de falsa segurança e cobertura médica. Lutamos
também contra a atomização e privatização
dos Cuidados de Saúde Primários. Exigimos a
contratação de mais profissionais de saúde,
a abertura de concursos para Assistentes
Graduados Sénior, Médico de Família para
todos os utentes, a colocação de Pediatras no
Serviço de Urgência Pediátrica, a abertura de
internamento de Pediatria, o cumprimento
integral da lei dos tempos máximos de resposta
garantidos nas consultas, cirurgias e meios
complementares de diagnóstico, e a construção
de uma maternidade pública.
Foi o SNS que tornou possível tudo isso, colocando Portugal no caminho do
progresso dos indicadores de saúde, onde se destaca a diminuição drástica
da taxa de mortalidade infantil, o aumento da esperança média de vida, e
importantes resultados na melhoria da qualidade de vida das populações.