FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 29
µ 29 | FNAMZINE | março 2026
E PROFISSÃO MÉDICA EM PORTUGAL
Algumas pessoas ponderam rescindir, não escolher
especialidade e procurar oportunidades no estrangeiro.
fazer bastante mais horas do
que deveria.
FZ: A pressão para a
prestação de serviços ou
para irem para o estrangeiro
é algo que já se sente na
faculdade?
MM: Algumas pessoas
p o n d e ra m re s c i n d i r, n ã o
e s co l h e r e s p e c i al i d a d e e
procurar oportunidades no
estrangeiro. A médio ou longo
prazo, isso vai agravar ainda
mais as dificuldades em fixar os
médicos formados em Portugal,
m e s m o n o s e to r p r i va d o,
que também não consegue
competir com o estrangeiro.
FZ: E sobre o burnout e outros
aspetos da saúde mental?
CD: Sim, é um problema.
No ICBAS fomos pioneiros
e temos resposta ao nível
d o ga b i n e te d e a p o i o a o
e s t u d a n t e . Te m o s d u a s
psicólogas a trabalhar a tempo
inteiro para os estudantes.
MM: Na FMUP também
te m o s a ce ss o a s e r v i ço s
de psicologia, caso
os estudantes sintam
necessidade. Felizmente,
na nossa geração deixou de
ser um tabu. As pessoas já
não têm aquela vergonha
associada.
FZ: O que é fala mais alto:
a co m p e t i t i v i d a d e o u a
entreajuda?
CD: Sentimos ambos.
Há sempre alguma
competitividade, mas no
ICBAS sinto que isso não
s e t ra d u z n u m a fa l t a d e
entreajuda. Temos até um
banco de estudo partilhado. O
problema da competitividade
é que pressiona os estudantes
a participarem menos,
a estarem menos pela
faculdade e a participar em
momentos sociais, porque as
aulas acabam e vão para casa
estudar.
MM: Acho que o espírito
de entreajuda é algo que
marca a FMUP desde o
início. Trocamos ideias,
metodologias de estudo,
estudamos em conjunto
para tirar dúvidas uns com os
outros.
Percebo a questão da
competitividade, que se
s e n t e m a i s p ró x i m o d a
altura da PNA. Obviamente
que ela existe, é inerente
ao ser humano, mas
acho que o sentimento
de entreajuda acaba por
superar, em todas as fases
do curso, o sentimento de
competitividade.
Quando entramos no curso
de Medicina, romantizamos aquilo
que vai ser o futuro.
FZ: O SNS continua a ser a
menina dos olhos dos futuros
médicos?
CD: A tendência é sempre
começar no SNS. Acho que
depois, perante a realidade,
acabam por sair.
MM: Concordo com a Carolina.
Nenhum estudante pensa, à
partida, em descartar o SNS.
FZ: O que diriam aos decisores
políticos?
CD: Diria algo muito simples:
Senhora Ministra, temos de
falar sobre a carreira docente
clínica. Seria uma prioridade
para mim, porque acho que é
uma das maiores lacunas no
ensino médico.
MM: Diria que é necessário parar
e analisar a situação de forma
global, de forma holística, em
vez de estar sempre a remediar.
FZ: E aos colegas que estão a
chegar?
CD: Que vão gostar muito do
curso, que é muito bom ser
estudante. Que os esperam
anos de muito estudo, mas
também de muita felicidade.
MM: Costuma dizer-se, como
cliché, que a faculdade são os
melhores anos da nossa vida — e
acho que, de facto, são. Diria para
aproveitarem ao máximo todas
as dimensões da faculdade, não
apenas os estudos, mas também
a vida académica.
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