FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 32
µ 32 | FNAMZINE | www.fnam.pt |
FZ: A integração dos internos na carreira
será uma realidade?
JBS: Tem de ser. Os médicos internos
representam cerca de um terço da força
de trabalho do SNS e são essenciais
ao seu funcionamento diário. Não
podem continuar fora da carreira, numa
situação de precariedade estrutural.
A integração é uma reivindicação
central e justa para garantir um SNS
sustentável.
FZ: Ser mulher num contexto
habitualmente ocupado por homens foi
um obstáculo ou uma vantagem?
JBS: Tornou-se evidente que a liderança
não depende do género — depende de
convicções, coerência e da capacidade
de não recuar quando se defende o que
é justo.
FZ: Como foi conciliar a presidência da
FNAM com a vida profissional e pessoal?
JBS: Foi exigente. A presidência da FNAM
não é um cargo distante — é feita em
acumulação com a atividade clínica,
com responsabilidades sindicais e com
a vida pessoal e familiar. Houve pouco
tempo livre, mas também uma rede de
apoio e um forte sentido de propósito.
µ FNAMZINE | JOANA BORDALO E SÁ
Quando se acredita que a luta é justa
e coletiva, encontra-se forma de
continuar.
FZ: Os sindicatos da FNAM reforçaram a
sindicalização dos médicos. Porquê?
JBS: Porque estivemos sempre do lado
dos médicos, sem ambiguidades.
Os médicos sindicalizam-se quando se
sentem representados de forma firme,
consistente e sem hesitações.
Co n s t r u í m o s c re d i b i l i d a d e co m
ação concreta: defesa dos médicos
e resposta aos problemas do dia a
dia, como apoio sindical e jurídico,
intervenção em situações de assédio e
outras questões laborais.
ANDRÉ GOMES
FZ: Quais as expetativas para o novo
triénio da FNAM?
JBS: Continuidade com força e sentido
coletivo. A FNAM tem uma presidência
ro t a t i va : t rê s a n o s d o SM N , t rê s
anos do SMZC, e três anos do SMZS,
assegurando pluralidade, memória e
coesão sindical. O trabalho é conjunto
e o objetivo mantém-se claro: melhorar
as condições de trabalho dos médicos e
travar a degradação do SNS. Não há SNS
forte sem médicos valorizados.
Médico de Saúde Pública na ULS Alto
Alentejo, é o atual presidente do
Sindicato dos Médicos da Zona Sul
e assumiu a presidência rotativa da
FNAM no início de 2026. Licenciado na
Faculdade de Medicina da Universidade
de Lisboa. Fora das lides sindicais
dedica-se ao canto lírico e à composição
musical. Tem como passatempos o
cinema, a literatura e o gosto por viajar.