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Sindicato dos Médicos do Norte
Hospital de Bragança:
um diagnóstico necessário
ELISABETE PINELO
ASSISTENTE GRADUADA SÉNIOR DE MEDICINA
INTERNA, DELEGADA SINDICAL DO SMN,
HOSPITAL DE BRAGANÇA, ULS DO NORDESTE
Falar do Hospital de Bragança é falar de
um serviço essencial para uma vasta
região do interior do país, onde o acesso
aos cuidados de saúde continua a ser
um desafio estrutural. Tal como noutros
hospitais periféricos, convivem aqui
realidades contrastantes: limitações que
comprometem a equidade no acesso,
mas também virtudes que devem ser
reconhecidas e valorizadas.
A principal fragilidade reside na escassez
de recursos humanos. A falta de médicos,
transversal a várias especialidades,
é particularmente sentida quando
comparada com os grandes centros
urbanos, onde a concentração de
profissionais é maior.
E s t a a s s i m e t r i a t ra d u z- s e n u m a
resposta mais frágil em áreas clínicas
fundamentais e numa dependência
excessiva do trabalho suplementar para
garantir o funcionamento do serviço
de urgência. Este modelo, apesar de
assegurar a continuidade assistencial,
sem prejuízo para o utente, não é
sustentável a médio prazo e coloca
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pressão acrescida sobre equipas já
sobrecarregadas. Garantir equidade no
acesso aos cuidados de saúde implica
reconhecer estas desigualdades e
corrigi-las com políticas de fixação
efetivas.
Mas o diagnóstico não pode ficar
apenas pelos constrangimentos. Os
hospitais de menor dimensão, como
o de Bragança, oferecem condições
únicas para uma prática médica mais
próxima e humanizada.
A relação médico-doente é mais direta,
personalizada e continuada, o que
reforça a confiança e a qualidade dos
cuidados prestados. Existe também
uma maior proximidade entre
profissionais, com verdadeiro espírito
de equipa, colaboração interdisciplinar
e canais de comunicação mais rápidos
e eficazes, o que reduz a burocracia e
facilita a tomada de decisão clínica.
O i n te r n a to m é d i co e m co n tex to
periférico representa, igualmente, uma
oportunidade formativa de elevado
valor. Proporciona uma prática mais
intensiva, maior autonomia e contacto
direto com uma grande diversidade
de patologias, preparando melhor
os jovens médicos para os desafios
da profissão. Investir na formação
médica local é, por isso, uma estratégia
d e t e r m i n a n t e p a ra a f i x a ç ã o d e
especialistas e para a sustentabilidade
futura do hospital.
Olhar para a Unidade Hospitalar de
Bragança é reconhecer dificuldades
reais, mas também potencial. Valorizar
o que se faz bem no interior é um passo
essencial para garantir cuidados de
saúde verdadeiramente equitativos em
todo o território.
Investir na formação médica local é, por isso,
uma estratégia determinante para a fixação de
especialistas e para a sustentabilidade futura do hospital.