FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 40
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Internacional França
“NESTE MOMENTO NÃO
EQUACIONO O REGRESSO”
ANA MOSCOSO, 46 anos, licenciou-se em Salamanca e fez a sua especialização em Psiquiatria
da Infância e da Adolescência no Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, entre 2005 e 2013.
Exerceu também atividade clínica nos hospitais São Francisco Xavier e Egas Moniz.
FZ: Quantos anos exerceu em Portugal
antes de emigrar?
ANA MOSCOSO (AM): Após a
especialidade, exerci cerca de dois anos.
Mantive sempre atividade hospitalar a
tempo inteiro e, a partir do terceiro ano,
iniciei também uma prática semanal em
consultório privado.
O regime de descanso inclui 25 dias
úteis de férias e 20 dias úteis de repouso
compensatório, perfazendo cerca de 45
dias por ano. Existem ainda 15 dias úteis
destinados à formação, congressos, etc.
FZ: Como compara a relação com colegas,
chefias e administrações nos dois
contextos?
AM: Em Lisboa, a minha experiência foi
muito positiva, marcada por acessibilidade, diálogo e cooperação, favorecendo a partilha de saberes e um forte
sentimento de pertença institucional.
Em França, e particularmente em Paris,
as relações tendem a ser mais formalizadas, com hierarquias mais marcadas.
Trata-se sobretudo de diferenças culturais e organizacionais.
FZ: Para que país emigrou e por que
razão?
AM: Para França, essencialmente pelas
oportunidades de investigação e pelo
contexto académico existente em Paris.
FZ: Quais foram os principais desafios?
AM: O burocrático. O acesso ao emprego
é simples, mas a obtenção de um posto
estável e de qualidade, sobretudo num
serviço universitário no centro de Paris,
pode demorar vários anos. Nem todos
os países europeus separaram, desde o
internato médico, as especialidades de
Psiquiatria de Adultos e de Psiquiatria
da Infância e da Adolescência, como
aconteceu em Portugal em 1983. Ao
nível cultural, para além do domínio da
língua, o exercício da Pedopsiquiatria
e m Fra n ça ex i ge u m p ro ce ss o d e
aculturação prolongado.
FZ: Como descreveria as condições de
trabalho que tinha em Portugal?
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AM: Como recém-especialista, estava
globalmente satisfeita com as condições
de trabalho em Portugal. No entanto,
aspirava a melhores condições para
desenvolver investigação, publicar
artigos e participar de forma mais
estruturada na formação académica.
FZ: Quais são as principais diferenças?
AM: A carga horária semanal é de 40
horas, com um número elevado de
doentes, semelhante ao que acontece
em Portugal.
FZ: Em termos salariais, a mudança foi
significativa?
AM: Existe progressão salarial regular
e previsível a cada dois anos, sem
necessidade de qualquer avaliação
de desempenho. Acrescem várias
bonificações, como a exclusividade,
atividade de ligação a outros serviços,
comparticipação no passe de
transportes público, estacionamento
gratuito e acesso à creche hospitalar. São
apoios que têm um impacto relevante no
bem-estar profissional.