FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 41
µ 41 | FNAMZINE | março 2026
...Vivi experiências
de discriminação
que também
me permitiram
reconhecer, com
mais clareza, formas
de discriminação
existentes no meu país
de origem.
FZ: Como avalia atualmente o equilíbrio
entre vida profissional e pessoal?
AM: Não será muito diferente do que
seria em Lisboa. No entanto, o tempo
protegido permite que o trabalho ao
final do dia ou ao fim de semana seja
raro, o que facilita a preservação da
vida pessoal.
FZ: Sente falta de Portugal?
AM: Sinto muitas saudades de Lisboa,
embora vá com frequência. Mantenho
ligações profissionais à Pedopsiquiatria
portuguesa, nomeadamente através
de conferências, docência e relações de
amizade.
FZ: Consideraria regressar a Portugal?
AM: Neste momento não equaciono o
regresso. Estou a fazer o doutoramento
e a desenvolver uma nova estrutura
no meu serviço, com projetos
interessantes em colaboração com
outros grupos europeus que quero
manter.
FZ: Que mudanças considera essenciais
no SNS para que os médicos ponderem
voltar?
AM: Falando não apenas de mim, mas
da classe médica em geral, importa
reconhecer a luta que a FNAM tem
travado nos últimos anos. Muitas das
reivindicações — progressão salarial e
de carreira, direito a férias adequadas
e à investigação — correspondem
a direitos de base, essenciais para
a evolução técnica e científica da
m e d i c i n a . Ess e p ro g re ss o ex i ge
condições de trabalho adequadas e um
verdadeiro suporte institucional.
FZ: Que conselho deixaria a um médico
português que esteja a ponderar emigrar?
AM: Mais do que um conselho, deixaria
uma reflexão. O percurso migratório
implica inevitavelmente um processo de
luto e de perda. Considero-me resiliente,
mas demorei cerca de cinco anos a sentirme plenamente bem neste país e nesta
cidade. Vivi experiências de discriminação
que também me permitiram reconhecer,
com mais clareza, formas de discriminação
existentes no meu país de origem.
µ FNAMZINE | ANA MOSCOSO