FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 5
µ 05 | FNAMZINE | março 2026
Sindicato dos Médicos da Zona Centro
O SNS e os Médicos:
Um Momento de Decisão
NOEL CARRILHO
PRESIDENTE DO SMZC
A eleição de uma nova Direção do
Sindicato dos Médicos da Zona Centro,
em paralelo com a eleição dos novos
órgãos da FNAM, não é um mero ato
formal: representa um novo ciclo
de responsabilidade, intervenção e
exigência num momento crítico para o
Serviço Nacional de Saúde (SNS) e para
os seus médicos.
Até para os mais desatentos é já
indisfarçável a intenção dos poderes
vigentes de descapacitar o SNS
enquanto serviço público universal.
O desinvestimento crónico, a
transferência crescente de recursos para
o setor privado e social e a amputação
da capacidade de captação e retenção
de médicos não são circunstâncias
inevitáveis, são opções políticas.
A f i xa çã o d e m é d i co s i m p l i ca r i a
co n d i çõ e s d i g n as , e s ta b i l i d a d e,
reconhecimento e perspetivas de
futuro.
Os médicos do SNS acumulam, há mais
de uma década, uma perda significativa
de poder de compra e convivem com
um sistema de avaliação coartado por
quotas cegas e incapaz de reconhecer o
mérito e o esforço onde existam.
Não surpreende, por isso, a saída
contínua de médicos do SNS, com
aumento do recurso a prestadores em
regimes contratuais desregulados, que
promovem precariedade, desigualdade
remuneratória e desorganização das
equipas.
As consequências estão à vista. Utentes
sem médicos de família, urgências
com tempos de espera inaceitáveis,
maternidades encerradas e partos em
ambulâncias são apenas alguns dos
sinais de uma fragilidade estrutural que
se aprofunda.
Para o próximo triénio, a FNAM continua
a propor medidas claras e concretas:
valorização efetiva da carreira médica,
revisão salarial que recupere, pelo
menos, o poder de compra perdido,
a p o i o s co n c re t o s p a ra a s z o n a s
carenciadas e um regime de dedicação
ao SNS verdadeiramente atrativo.
E s t a s p ro p o s t a s t ê m e s b a r ra d o
nu m a re i te ra d a fal ta d e vo n ta d e
política. Se nada mudar, a sombra
da irreversibilidade deixará de ser
uma ameaça distante para se tornar
realidade, algo que não podemos
aceitar.
O SMZC assumirá, sem ambiguidades,
o compromisso de lutar pela
concretização destas medidas,
reforçando ao mesmo tempo a
sua habitual presença sindical de
proximidade nos locais de trabalho.
Defender os médicos e defender o
SNS é defender os doentes. É recusar
o c a m i n h o d a d e g ra d a ç ã o e d a
resignação. É afirmar que a saúde é
um bem público que tem de ser uma
prioridade.
Este é um momento de responsabilidade
coletiva. A força do sindicato mede-se
pela participação dos médicos.
A sindicalização é um ato de resistência,
de compromisso com a profissão, com o
SNS e com as gerações futuras.
O momento para quem acredita é agora.
Este é um momento de responsabilidade coletiva. A força do sindicato mede-se
pela participação dos médicos. A sindicalização é um ato de resistência,
de compromisso com a profissão, com o SNS e com as gerações futuras.
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