FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 6
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Sindicato dos Médicos da Zona Sul
Amadora-Sintra: não se deixa para trás
a saúde de mais de 500 mil pessoas
TÂNIA RUSSO
PEDIATRA NA ULS AMADORA-SINTRA
DIRIGENTE DO SMZS
O Hospital Prof. Doutor Fernando
Fo n s e c a ( H F F ) a c u m u l a a n o s d e
problemas para os quais não tem
existido vontade política em resolver.
As equipas médicas estão desfalcadas,
sobretudo na urgência geral, mas
também no internamento, onde a falta
de médicos e de camas condicionam a
resposta assistencial. Esta realidade
resulta de anos de desinvestimento e de
ausência de soluções estruturais.
O HFF serve mais de 580 mil habitantes,
numa região socialmente vulnerável.
Esta é a região do país com maior
ca rê n c i a d e m é d i co s d e fa m í l i a ,
que afeta mais de 190 mil utentes, o
que agrava a saúde da população e
sobrecarrega a urgência hospitalar sem
paralelo no país.
O novo Hospital de Sintra era uma
promessa de alívio da pressão no HFF, que
não foi eficazmente concretizada.
A pressa do poder local e central em abrir
as portas do novo hospital não acautelou
os profissionais necessários, acabando
por sobrecarregar adicionalmente o HFF,
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A degradação das condições de trabalho tem levado à saída sucessiva
de médicos experientes e à destruição de equipas: só da equipa fixa
da urgência geral saíram 11 médicos em 2025.
ao deslocar médicos desta unidade para
Sintra.
A degradação das condições de trabalho
tem levado à saída sucessiva de médicos
experientes e à destruição de equipas: só
da equipa fixa da urgência geral saíram
11 médicos em 2025. As mais de duas
dezenas de horas de espera na urgência
são a consequência de um problema
que o Conselho de Administração (CA)
e o governo não conseguem resolver. A
situação no HFF voltará inevitavelmente
a abrir os telejornais se nada mudar.
Apesar de tudo, os médicos continuam a
fazer um esforço extraordinário, à custa
de desgaste e de tempo pessoal. Mas a
dedicação não substitui recursos nem
cria camas onde não existem.
A sobrelotação da urgência e a pressão
no internamento mostram um serviço
no limite. As chefias e o CA têm falhado
em ouvir os médicos, preferindo
impor medidas que não resolvem os
problemas de fundo.
Não é aceitável que uma das regiões mais
populosas do país fique sem cuidados
de saúde adequados. O governo tem a
responsabilidade de contratar médicos,
aumentar a capacidade de internamento
e garantir condições de trabalho dignas,
assegurando o direito da população do
Amadora Sintra ao SNS.