FNAMzine #6 - Unidos pelo Futuro dos Médicos e do SNS - Flipbook - 9
µ 09 | FNAMZINE | março 2026
Relatos SNS Hospitalar
Navegar à vista
com outros colegas, tentado expandir
o acesso da população da Unidade
Local de Saúde (ULS) Loures / Odivelas
a novos tratamentos para a dor crónica.
Considero-me, portanto, um
privilegiado, por me terem sido dadas
oportunidades para realizar o trabalho
que gosto de exercer e que tem o
potencial de ajudar muita gente.
JOÃO NUNES
ANESTESIOLOGISTA DO HOSPITAL BEATRIZ
ÂNGELO EM LOURES, DELEGADO SINDICAL
DO SMZS E MEMBRO DO CONSELHO
FISCALIZADOR DO SMZS
N o i n í c i o d o a n o d e 2 02 5 i n i c i e i
funções como Assistente no serviço
de Anestesiologia do Hospital Beatriz
Ângelo (HBA). Tenho o privilégio de,
desde então, integrar uma equipa de
anestesiologistas que todos os dias
demonstram dedicação, empenho,
v o n t a d e d e i n o v a r e m e l h o ra r.
Em co n j u n to co m o s c i r u rg i õ e s ,
enfermeiros, técnicos auxiliares de
saúde e assistentes técnicos, o trabalho
desenvolvido pelas equipas do bloco
operatório é centrado no utente, na
segurança e qualidade dos cuidados
de saúde prestados. Tem sido para mim
um motivo de orgulho poder participar
no trabalho desenvolvido por este
grupo de profissionais.
Simultaneamente integro a Unidade de
Dor do HBA, onde tenho, em conjunto
Gostava de terminar este texto por
aqui, mas infelizmente existe um outro
lado desta moeda, um lado triste e
desmotivante. O processo de passagem
da antiga Parceria Público-Privada
(PPP) para a gestão pública deixou
um rastro de sistemas e materiais que
carecem de manutenção e renovação.
A mais evidente de uma série de
falhas neste setor tem sido a nível
informático.
Desde que iniciei funções que
se anunciava o final do sistema
clínico Sorian, com a transição para
o SClinico. Porém, após meses de
progressiva deterioração e lentidão
no seu funcionamento, os programas
informáticos deixaram de funcionar
em setembro de 2025. Durante mais
de uma semana o hospital, que desde
a sua abertura se declarava “sem
papel”, ficou totalmente dependente
de registos manuais. O sistema de
agendamentos colapsou.
A re cu p e ra çã o fo i l e n t a e a i n d a
n o s e n co n t ra m o s l o n ge d e u m a
normalidade. Perderam-se inúmeras
referenciações internas, que só em
janeiro de 2026 foram retomadas. Os
doentes são convocados para exames,
consultas, procedimentos, hospital de
dia com poucos dias ou mesmo horas
de antecedência. O funcionamento
lento dos sistemas leva a atrasos e à
frustração, tanto de médicos como de
utentes.
Está anunciada uma migração tardia
do programa para o SClinico no final
de março deste ano. Entristece-me
que a gestão tenha sido tão reativa e
tão pouco preventiva neste problema,
que tanto impacto negativo teve na
população de Loures e Odivelas e
que só serviu para corroer ainda mais
a confiança da mesma na sua ULS.
Entristece-me que tudo isto promova
a saída de profissionais deste hospital,
que tanto potencial tem para melhorar
as vidas dos habitantes nestes
concelhos.
As equipas de profissionais de saúde
do HBA continuam a desenvolver
um trabalho tremendo, mesmo em
condições que não são compatíveis
com o estado da arte da medicina
do século XXI. Merecem o meu maior
re s p e i to e a d m i ra çã o, m e re ce m
também melhores condições para
exercerem o seu trabalho.
O processo de passagem da antiga Parceria Público-Privada (PPP)
para a gestão pública deixou um rastro de sistemas
e materiais que carecem de manutenção e renovação
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