FNAMzine #7 - Defender os Médicos da Reforma Laboral - Flipbook - 10
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Relatos SNS MGF
A EVOLUÇÃO DOS CUIDADOS PALIATIVO
ANA KARINA ABREU
DELEGADA SMZS, UNIDADE LOCAL DE SAÚDE
DO ALGARVE - MEDICINA GERAL E FAMILIAR
Em 2019, a Equipa Comunitária (EC) de
Suporte em Cuidados Paliativos (CP) do
Agrupamento de Centros de Saúde do
Algarve Central iniciou funções, com 4
médicos, 2 enfermeiros, 1 assistente
social e 1 psicóloga.
Ao longo dos anos, a EC foi ficando desfalcada e, em agosto de 2025, a equipa
médica ficou reduzida apenas a mim.
Escusado será dizer que um só médico
não faz uma equipa e que 10 horas não
suprem as necessidades de cobertura
de cinco concelhos algarvios. O apoio
médico, desde 2020, assenta sobretudo
no recurso a trabalho suplementar (TS).
No início, estas horas eram divididas
entre os vários médicos, com a saída
dos colegas a minha carga aumentou
significativamente, chegando a 24 horas semanais de TS.
A isto somava-se a disponibilidade telefónica constante durante o período
em que me encontrava a desenvolver
consultas de Medicina Geral e Familiar
e, mesmo, fora de horas.
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A QUESTÃO FUNDAMENTAL É: PORQUE
SAEM OS PROFISSIONAIS DAS EC?
Muito se apregoa que o abandono destes projetos se deve à exaustão emocional, o que não é de todo incorreto.
Contudo, esta não se deve à fadiga por
compaixão, mas sim ao cansaço provocado pela sobrecarga de trabalho e pela ausência de reconhecimento, de apoios, de
melhoria das condições e de valorização
profissional, com limitações na progressão da carreira e em questões salariais.