FNAMzine #7 - Defender os Médicos da Reforma Laboral - Flipbook - 18
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MÉDICOS INTERNOS QUE AJUDAM A CONCRETIZAR
OS PRINCIPAIS DESAFIOS VIVIDOS NO TERRENO:
MARIA INÊS PINTO - HEMATOLOGIA CLÍNICA
“PRECISAMOS DE TEMPO PARA ESTUDAR
E DE INTEGRAÇÃO NA CARREIRA”
Maria Inês Pinto destaca que o envolvimento sindical surge
de uma vontade de cuidar e de lutar por um serviço mais
justo. Sublinha o crescimento da organização dos médicos
internos, mas alerta para a necessidade de envolver mais
colegas num contexto de crescente pressão. Aponta como
principais problemas a sobrecarga assistencial e a atribuição
de responsabilidades desajustadas ao grau de formação,
muitas vezes em prejuízo do tempo de estudo. “Somos
frequentemente usados para colmatar falhas nas escalas,
o que compromete a formação”, refere. Defende como
prioridades a integração dos médicos internos na carreira
médica e a consagração das 35 horas semanais, condições
essenciais para garantir qualidade formativa, equilíbrio
pessoal e melhores cuidados aos utentes.
MARIA FRANCISCA SILVA - MEDICINA GERAL E FAMILIAR
“AS CONDIÇÕES AFASTAM MÉDICOS
DA ESPECIALIDADE E DO SNS”
Na fase final do internato, Maria Francisca Silva traça
um retrato crítico das expectativas e da realidade
da profissão. Destaca as dificuldades de acesso à
especialidade, o aumento do custo de vida e a exigência
de horários prolongados como fatores que condicionam
o percurso dos jovens médicos. Na Medicina Geral
e Familiar, reconhece qualidade formativa, mas
alerta para desigualdades e falhas estruturais,
nomeadamente a falta de equipas multidisciplinares
nos Cuidados de Saúde Primários. Sublinha ainda o
paradoxo entre a necessidade de Médicos de Família
e a limitação de vagas, apontando uma falta de
resposta estrutural às necessidades da população.
Defende o reforço do SNS público, com aposta na
prevenção e nos cuidados de proximidade.
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MANUEL SANT’OVAIA - PSIQUIATRIA
“A FRAGILIDADE DOS
MÉDICOS INTERNOS FAVORECE
ABUSOS LABORAIS”
Manuel Sant’Ovaia enquadra o seu percurso na
Medicina e no sindicalismo como resultado de
uma preocupação com o bem-estar coletivo e
com a organização do serviço de saúde. Considera
que tem havido um reforço do envolvimento
sindical, impulsionado pela ação da FNAM nos
últimos anos. Identi昀椀ca como um dos principais
problemas a posição vulnerável dos médicos
internos, que, estando fora da carreira,
dependem hierarquicamente de avaliações e
orientações, o que pode limitar a sua capacidade
de reivindicação. “Essa fragilidade acaba por
normalizar situações de abuso”, alerta. Defende
a continuação da luta por medidas estruturais,
como a integração na carreira e o ajuste do horário
de trabalho, sublinhando que a mobilização
coletiva será determinante para alcançar
mudanças duradouras.