FNAMzine #7 - Defender os Médicos da Reforma Laboral - Flipbook - 19
µ 19 | FNAMZINE | julho 2026
DANIEL CARDOSO - OFTALMOLOGIA
LUÍS NUNO MENDES - MEDICINA LEGAL
“O EXCESSO DE BUROCRACIA
TIRA-NOS TEMPO PARA
O PENSAMENTO MÉDICO-LEGAL”
Luís Nuno Mendes licenciou-se em Medicina em Coimbra, em
2021, depois de passar por outros cursos até encontrar a sua
vocação. Escolheu Medicina Legal, uma especialidade que exige
conhecimentos transversais e uma forte componente de análise.
Pai de uma 昀椀lha, concilia o internato com trabalho suplementar
para responder aos desa昀椀os 昀椀nanceiros. Critica a excessiva carga
burocrática e os atrasos estruturais associados à dependência
do Ministério da Justiça. Aponta ainda a dificuldade em fixar
especialistas nos grande centros urbanos devido ao elevado
custo de vida e à fraca valorização da prestação de serviços.
“SOMOS UM TERÇO DO SNS DE HOJE,
MAS TRÊS TERÇOS DO SNS DO FUTURO”
Daniel Cardoso escolheu a Medicina e o
sindicalismo movido pela vontade de ajudar
pessoas e contribuir para um SNS mais forte.
Considera que as dificuldades sentidas pelos
médicos internos resultam da degradação das
condições de trabalho e da falta de perspetivas
de carreira, e não de diferenças geracionais.
Defende que a ação sindical é essencial
para combater a exploração e rejeita
a ideia de que o ativismo prejudica o
percurso pro昀椀ssional. Para o futuro do
SNS, considera prioritária a integração
dos internos na carreira, a valorização
salarial e a criação de condições que
permitam atrair e fixar médicos no
serviçopúblico.
RENATO ROCHA - ANATOMIA PATOLÓGICA
SARA MAGALHÃES - DOENÇAS INFECCIOSAS
“OS MÉDICOS INTERNOS QUEREM
ESTAR DENTRO DO SNS”
“DEVEMOS REFORÇAR A PRESENÇA
NOS LOCAIS DE TRABALHO”
Renato Rocha encontrou na Medicina a
união entre a vontade de ajudar os outros
e o interesse pelo conhecimento científico.
No sindicalismo médico, destaca a criação
de um canal de denúncia de assédio dirigido
aos internos, que considera especialmente
vulneráveis. Alerta ainda para o impacto
do burnout, agravado pela pressão entre
trabalho, estudo e formação. Defende que o
internato deve contar para a carreira
médica, ajudando a 昀椀xar pro昀椀ssionais
no SNS. Quanto à crescente opção
pela prestação de serviços,
considera que o problema resulta
de um modelo que incentiva
essa escolha, e não das decisões
individuais dos médicos.
Sara Magalhães queria estudar História, mas
acabou por escolher Medicina, in昀氀uenciada
pelas preocupações com a empregabilidade
num período marcado pela austeridade
da troika. Apesar de gostar da profissão,
critica a sobrecarga de trabalho durante
o internato, que considera prejudicial à
formação, à investigação e à avaliação dos
médicos internos. Defende a integração
do internato na carreira médica e
melhores condições de trabalho. No
plano sindical, destaca o papel da
FNAM na defesa do SNS e considera
essencial envolver mais médicos
internos na atividade sindical e
reforçar a presença dos sindicatos
nos locais de trabalho.
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