FNAMzine #7 - Defender os Médicos da Reforma Laboral - Flipbook - 25
µ 25 | FNAMZINE | julho 2026
Ao longo da história,
houve sempre receios de
que a inovação destruísse
emprego. O que aconteceu
foi uma transformação
do trabalho. A questão
essencial é outra: os
ganhos tecnológicos estão
a traduzir-se em melhores
salários, redução do horário
de trabalho e melhores
condições de vida?
É aí que deve estar o foco
FZ: Acreditam que estas medidas podem ser travadas por via constitucional?
TO: Haverá um momento em que
o Presidente da República terá de
s e p ro n u n c i a r. D e p e n d e n d o d a
sua decisão, haverá certamente
formas de garantir que o Tribunal
Constitucional avalie estas matérias.
FZ: Dois temas centrais do mundo
laboral atual são a automação e a
inteligência artificial. Como devem
os trabalhadores olhar para estes
desafios?
TO: Curiosamente, são precisamente
áreas às quais esta reforma laboral não
dá resposta. O governo fala muito em
modernização e novas tecnologias,
mas o pacote laboral não responde a
esses desafios.
Nós não devemos olhar para a tecnologia
como uma ameaça em si mesma.
Ao longo da história, houve sempre receios
de que a inovação destruísse emprego.
O que aconteceu foi uma transformação do
trabalho.
A questão essencial é outra: os ganhos
tecnológicos estão a traduzir-se em
melhores salários, redução do horário de
trabalho e melhores condições de vida? É
aí que deve estar o foco.
O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE
FZ: O QUE RESPONDE A QUEM PERGUNTA SE A GREVE AINDA VALE A PENA?
TO: Estou no movimento sindical há 20 anos e uma coisa é certa: nenhum
direito foi oferecido. Tudo o que os trabalhadores conquistaram veio da
luta coletiva.
Basta olhar para o que aconteceu após o 25 de abril. Os direitos laborais
que hoje existem resultaram de manifestações, greves, ações nos locais de
trabalho e da organização dos trabalhadores.
Mesmo neste processo contra o pacote laboral, a greve geral de 11 de
dezembro foi determinante. Sem essa mobilização, provavelmente esta
reforma já teria avançado muito mais depressa.
FZ: QUE MENSAGEM DEIXA AOS MÉDICOS QUE LUTAM PELO SNS?
TO: Tenho acompanhado essa luta com grande concordância relativamente
ao seu objetivo central: defender o Serviço Nacional de Saúde.
Os médicos têm tido um papel fundamental, não apenas na defesa dos
seus direitos profissionais, mas também na salvaguarda do SNS enquanto
serviço público essencial. Temos objetivos comuns: construir uma
sociedade que coloque as pessoas no centro das políticas públicas.
µ FNAMZINE | TIAGO OLIVEIRA