FNAMzine #7 - Defender os Médicos da Reforma Laboral - Flipbook - 32
µ 32 | FNAMZINE | www.fnam.pt |
Estudantes - Entrevistas
“OS ESTUDANTES CONTINUAM
A VALORIZAR MUITO O SNS”.
RAQUEL PEGUINHO, Presidente do Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade de Coimbra
FNAMZINE (FZ): Como surgiu a Medicina?
RAQUEL PEGUINHO (RP): Sou uma daquelas
pessoas que, desde os 6 ou 7 anos, dizia que
queria ser médica. Cresci a ouvir as histórias
do meu avô, que era médico, e o meu pai
também incentivou sempre esse interesse.
A Medicina acabou por ficar comigo desde
muito cedo.
FZ: E o associativismo?
RP: Antes de entrar em Medicina fiz dois
anos de Medicina Dentária e já nessa altura
estava envolvida no núcleo de estudantes.
Em Coimbra, o associativismo tem uma
tradição muito forte e os estudantes são
chamados a participar e a dar opinião sobre
muitos assuntos. Na Faculdade de Medicina
da Universidade de Coimbra temos a sorte
de estarmos envolvidos em processos de
decisão e em estruturas de gestão.
Ao longo destes anos tenho sentido uma
evolução positiva. A faculdade continua a
valorizar a sua tradição, mas tem procurado
m o d e r n i za r- s e, i n v e s t i n d o m a i s n a
simulação clínica, nas novas tecnologias e
numa maior aproximação à prática.
FZ: Como têm trabalhado o envolvimento
dos colegas?
RP:O principal desafio é combater algum
desinteresse que existe à partida. Em
Medicina, a pressão das notas é muito
grande, sobretudo porque a classificação
final tem impacto no acesso à especialidade.
Isso leva muitos estudantes a concentraremse exclusivamente no estudo e a afastaremse de atividades extracurriculares e
associativas.
µ FNAMZINE | NEMUC
FZ: Que preocupações expressam os colegas?
RP: Temos acompanhado com atenção questões
relacionadas com a saúde mental, sobretudo
depois de situações recentes que marcaram a
comunidade estudantil. Em articulação com a
ULS de Coimbra, estamos a trabalhar para criar
respostas de acompanhamento psicológico para
situações mais urgentes. O projeto ainda está
em fase de planeamento, mas tem existido uma
grande abertura por parte da ULS.
FZ: Sente que existe acompanhamento dos temas
que marcam o debate na Saúde?
RP: Sim, sobretudo nos anos clínicos. À medida
que os estudantes se aproximam da entrada no
mercado de trabalho, começam a preocupar-se
mais com estas questões. Ouvem os colegas mais
velhos falar das dificuldades que encontram, das
condições de trabalho e da falta de valorização
p ro f i ss i o n al . Re ce n te m e n te, a t rav é s d a
Associação Nacional de Estudantes de Medicina
(ANEM), desenvolvemos o questionário “Rumo
para a Saúde”, precisamente para perceber essas
preocupações. Os resultados mostram que os
estudantes continuam a valorizar muito o SNS, o
que considero muito positivo enquanto futuros
profissionais de saúde.
FZ: E acompanham a realidade sindical?
RP: Sim. Através da articulação com os sindicatos
e da sua participação em várias iniciativas da
ANEM, vamos acompanhando essa realidade
e procurando transmitir essa informação aos
colegas. Ainda existe algum desconhecimento
sobre o papel dos sindicatos e sobre as vantagens
da sindicalização, por isso há também um
trabalho pedagógico importante a fazer nessa
área.