FNAMzine #7 - Defender os Médicos da Reforma Laboral - Flipbook - 33
µ 33 | FNAMZINE | julho 2026
Estudantes
“QUEREMOS SER UMA ASSOCIAÇÃO
PRÓXIMA DOS NOSSOS ALUNOS”.
MIGUEL SAYANDA, Presidente da Associação Académica de Medicina da Universidade Católica Portuguesa
FNAMZINE (FZ): Porquê e desde quando o
gosto pela Medicina?
MIGUEL SAYANDA (MS): Sempre tive algum
interesse pela área, embora não de forma
tão clara como aquelas pessoas que dizem
que querem ser médicas desde sempre.
FZ: Como está a ser o curso? Quais são os
principais pontos positivos e negativos?
MS: A experiência tem sido bastante
positiva. A faculdade tem uma abordagem
ao ensino da Medicina diferente da mais
tradicional, com uma componente prática
muito forte, algo que os estudantes
valorizam bastante.
O fato de ser um curso muito novo tem
vantagens e desafios. Por um lado, ainda
não foi totalmente testado. Por outro,
precisamente por estar em construção,
o feedback dos estudantes é muito
valorizado e tem levado a mudanças
significativas para melhorar o curso de
ano para ano.
de Campus, com a Reitoria. Temos tido a
oportunidade de discutir os programas
curriculares das diferentes unidades, o
que é muito positivo.
FZ: Costumam fazer reuniões gerais de
alunos?
MS: É sempre um pouco difícil garantir
grande adesão, mas procuramos envolver
os estudantes. Mantemos também um
contacto muito próximo com os colegas
através dos representantes do ano.
Queremos ser uma associação próxima
dos nossos alunos.
FZ: Como se organizam associativamente?
MS : Fu n c i o n a m o s co m o q u a l q u e r
associação de estudantes. Além disso,
s o m o s m e m b ro s o b s e r va d o re s d a
Associação Nacional de Estudantes de
Medicina (ANEM) há cerca de um ano
e estamos ainda a adaptar-nos a essa
entrada.
FZ: O debate sobre a saúde também
entrou na universidade? Há algum tema
em concreto que vos preocupe?
MS: Sim, certamente. Ainda que algumas
questões não nos afetem diretamente
neste momento, sabemos que são
a realidade que nos espera quando
terminarmos o curso.
Ao contrário do que às vezes se imagina,
já temos bastante contacto com o
Serviço Nacional de Saúde (SNS) durante
a formação, através de rotações e da
passagem por vários hospitais públicos.
Co n s e gu i m o s ve r o s p ro b le m as , a
sobrecarga e as horas extraordinárias. São
temas que preocupam os estudantes e
que eles acompanham.
FZ: E como é a vossa dinâmica enquanto
associação de estudantes?
MS: Desenvolvemos atividades culturais
e desportivas, mas também participamos
no Conselho Pedagógico e no Conselho
FZ: Entre os teus colegas, sentes que há
vontade de fazer uma experiência no SNS
ou já existe muita gente focada no privado
e no estrangeiro?
MS: Diria que a maioria dos estudantes
pensa em ficar em Portugal.
Em relação ao público ou ao privado, temos
contacto com o SNS e sabemos que, para
a maioria de nós, o internato será feito no
contexto público. Por isso, o SNS não é uma
hipótese descartada. Mas as condições de
trabalho nos próximos anos, até à nossa
entrada no mercado de trabalho, terão
certamente grande impacto nessa decisão.
FZ: Mais pela questão remuneratória ou
pelas condições de trabalho?
MS: Penso que é uma mistura das duas. Mas
a sobrecarga, as horas extraordinárias e a
carga horária pesam cada vez mais nessa
escolha.
Sinto que os estudantes gostam da
profissão e querem exercê-la, mas também
querem ter vida para além do trabalho.
Acima de tudo, procuram um equilíbrio
entre a vida profissional e pessoal.
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