FNAMzine #7 - Defender os Médicos da Reforma Laboral - Flipbook - 36
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“é cada vez mais importa
tomarem posições públic
conhecidas, só tenho coisas boas
a d i z e r d o s p ro f i s s i o n a i s q u e o
acompanharam.
Percebe-se que faltam recursos,
mas também se percebe a enorme
dedicação de quem lá trabalha.
FZ: No teu percurso a solo nota-se uma
ligação maior às causas. É mais fácil
quando se trabalha sozinho?
AB: De certa forma, sim.
Quando trabalhamos em grupo temos
de ter em conta as opiniões dos outros
e isso é perfeitamente legítimo.
A solo sinto-me mais livre para seguir
aquilo em que acredito. No início
assustou-me essa responsabilidade,
mas hoje dá-me muito prazer poder
gerir o meu trabalho de acordo com os
meus valores e convicções.
FZ: Como vês o que se passa atualmente
na obstetrícia e na saúde em geral?
AB: Vejo com preocupação e alguma
revolta. Há problemas evidentes e
continua a faltar uma resposta capaz
de fixar profissionais e valorizar quem
trabalha no SNS. Médicos e enfermeiros
saem do país ou abandonam o serviço
público e isso tem consequências.
É difícil compreender como é que uma
área tão importante continua sem
respostas à altura.
FZ: Alguns artistas dizem sentir
pressão para não se posicionarem.
Também acontece contigo?
AB: Claro que existe essa pressão. Mas
não acho que isso deva impedir quem
quer que seja de falar. Com o tempo
aprendemos que não vamos agradar a
toda a gente. E está tudo bem.
Prefiro ser coerente com aquilo em que
acredito do que tentar agradar a todos.
Um artista tem de ter alguma coragem
para assumir posições.
FZ: És utente do SNS? Como olhas para a
situação que se vive atualmente?
AB: Sou. Tenho médica de família e
os meus pais também dependem do
SNS. O meu pai teve recentemente um
Acidente Vascular Cerebral e esteve
internado no Hospital Amadora-Sintra.
Apesar de todas as dificuldades
µ FNAMZINE | ANA BACALHAU
Há problemas evidentes
e continua a faltar uma
resposta capaz de fixar
profissionais e valorizar
quem trabalha no SNS
FZ: Que mensagem deixarias aos
médicos?
AB: Gostava que pudessem ficar em
Portugal, mas para isso têm de existir
condições.
Quem cuida dos outros também tem de
ser cuidado. Não quero que a pessoa
que me vai tratar esteja preocupada
com a renda da casa ou com a falta de
condições para trabalhar.
Quero profissionais valorizados
e motivados. E quero agradecerlhes porque, apesar de todas as
dificuldades, continuam a estar lá para
os doentes.