FNAMzine #7 - Defender os Médicos da Reforma Laboral - Flipbook - 39
µ 39 | FNAMZINE | julho 2026
é obrigada a acumular vários empregos
para garantir um nível de vida compatível com as responsabilidades da profissão. Na província de Buenos Aires, 96,3%
dos médicos têm mais de um emprego,
uma realidade que compromete a qualidade de vida e aumenta o risco de erros
associados à fadiga.
Embora a legislação preveja jornadas
semanais entre 24 e 48 horas, muitos
profissionais ultrapassam regularmente as 80 horas. As consequências refletem-se nos elevados níveis de stress e
burnout, que atingem valores particularmente preocupantes nos hospitais de
maior complexidade. Apesar de avanços
recentes, como a redução dos turnos de
urgência na província de Buenos Aires, o
desgaste acumulado continua a marcar
a profissão.
Neste contexto, a aprovação da Lei de
Modernização Laboral introduziu novos
motivos de preocupação. Ao privilegiar a
As consequências
refletem-se
nos elevados
níveis de stress
e burnout, que
atingem valores
particularmente
preocupantes
nos hospitais
de maior
complexidade
flexibilização das relações de trabalho e
os acordos individuais, existe o risco de
aumentar a rotatividade dos profissionais e enfraquecer equipas clínicas estáveis, fundamentais para garantir a qualidade e a segurança dos cuidados de
saúde. As regiões com menos recursos
poderão enfrentar dificuldades acrescidas na atração e retenção de médicos,
agravando as desigualdades no acesso
aos cuidados.
Perante estes desafios, os profissionais reforçaram a sua capacidade de
organização e mobilização. A experiência argentina demonstra que qualquer
reforma do sistema deve colocar no
centro a valorização dos seus recursos
humanos. A sustentabilidade da saúde
depende não apenas de infraestruturas
e financiamento, mas também de condições dignas para aqueles que diariamente garantem o direito à saúde da
população.
µ FNAMZINE | PABLO MACIEL