FNAMzine #7 - Defender os Médicos da Reforma Laboral - Flipbook - 41
µ 41 | FNAMZINE | julho 2026
Esta relutância decorre das condições
laborais precárias que continuam a ser
impostas à profissão.
Em Espanha, os médicos não dispõem
de um enquadramento laboral próprio
que lhes permita negociar diretamente as suas condições de trabalho, ao
contrário do que acontece na maioria
dos países da União Europeia. Continuam sujeitos a um regime comum a
outras profissões de saúde, enquanto
enfrentam exigências específicas e frequentemente discriminatórias.
DESGASTE RÁPIDO
Persistem jornadas de 24 horas, trabalho suplementar obrigatório que não é
devidamente reconhecido e períodos
de descanso inferiores aos garantidos
a outras profissões. Estas horas não
A escassez de médicos não resulta da falta
de formação, mas da incapacidade dos decisores
políticos para criar condições que permitam
atrair e reter profissionais
contam para efeitos de reforma antecipada e, em muitos casos, são remuneradas abaixo do valor da hora normal
de trabalho.
Os médicos enfrentam ainda um
regime de incompatibilidades mais
restritivo do que o aplicado à maioria
dos funcionários públicos, sem que a
profissão seja reconhecida como atividade de risco ou desgaste rápido.
Os médicos espanhóis têm estado em
greve porque se sentem injustamen-
te tratados. Isto tem consequências
que ultrapassam a profissão médica e
colocam em risco a sustentabilidade
do sistema público de saúde. A escassez de médicos não resulta da falta de
formação, mas da incapacidade dos
decisores políticos para criar condições
que permitam atrair e reter profissionais. Por isso, a greve em curso procura
defender não apenas os médicos, mas
o direito dos cidadãos a cuidados de
saúde públicos de qualidade.
µ FNAMZINE | VICTOR CARBONELL