FNAMzine #7 - Defender os Médicos da Reforma Laboral - Flipbook - 6
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Sindicato dos Médicos da Zona Sul
Urgência Regional = Urgência Encerrada
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) manifesta a sua mais firme oposição à forma como o
governo e o Ministério da Saúde pretendem impor o modelo das urgências regionais de obstetrícia.
ANDRÉ ARRAIA GOMES
PRESIDENTE DA DIRECÇÃO DO SMZS E DA
FNAM, UNIDADE LOCAL DE SAÚDE DO ALTO
ALENTEJO - SAÚDE PÚBLICA
A decisão de concentrar urgências
num contexto marcado por grandes
distâncias entre unidades de saúde
representa um grave prejuízo para
utentes e profissionais, colocando em
causa o princípio da proximidade no
acesso aos cuidados de saúde. Trata-se de uma medida precipitada, desadequada e profundamente lesiva dos
direitos das grávidas e das suas famílias, agravando ainda mais as dificuldades já sentidas no Serviço Nacional
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de Saúde (SNS).
A implementação inicial deste modelo
estava prevista para a Península de
Setúbal, através do encerramento das
maternidades de Setúbal e do Barreiro e da concentração do serviço de urgência de obstetrícia em Almada. Esta
decisão implicaria o encaminhamento
para o Hospital Garcia de Orta de todas
as grávidas anteriormente referenciadas para as maternidades do Barreiro
e de Setúbal, incluindo as utentes provenientes do Litoral Alentejano.
Contudo, a primeira urgência regional a avançar acabou por ser a de
Loures, na sequência do encerramento da maternidade de Vila Franca de
Xira. Esta alteração traduziu-se num
aumento significativo das distâncias
que muitas grávidas percorrem para
aceder a cuidados urgentes. Uma
grávida residente no concelho de Benavente, cujo hospital de referência é
atualmente Vila Franca de Xira, passa
a ter de realizar uma deslocação de
cerca de uma hora até ao Hospital de
Loures. Acresce que, apesar do pre-
visível aumento da procura sobre a
maternidade de Loures, o reforço da
equipa resumiu-se à transferência de
apenas um enfermeiro de Vila Franca
de Xira para aquela unidade hospitalar.
É amplamente conhecido que a maternidade de Loures já encerrou diversas
vezes por falta de médicos. A sobrecarga agora criada, sem o correspondente
reforço de recursos humanos, coloca
seriamente em risco a capacidade de
resposta do serviço e poderá conduzir
a uma situação de colapso.
O governo insiste, assim, numa política de redução do acesso a cuidados
urgentes e diferenciados, apostando
num modelo que aumenta o risco de
partos fora de contexto hospitalar adequado — realidade que já se tem vindo
a agravar, com o aumento significativo de nascimentos em ambulâncias e
na via pública — e que compromete a
segurança das grávidas e dos recém-nascidos.
Simultaneamente, esta reorganização
coloca em causa a continuidade dos
cuidados pré-parto, parto e pós-parto,
indispensáveis para garantir uma resposta de qualidade e em segurança.
O SMZS exige a suspensão imediata da
entrada em funcionamento das urgências regionais de obstetrícia e reclama
uma verdadeira aposta no reforço do
SNS, designadamente através da valorização da carreira médica e da fixação
de mais profissionais no serviço
público. Não aceitamos que o SNS seja
transformado num arquipélago de
ilhas de excelência cercadas por extensos desertos de cuidados urgentes.